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lundi, janvier 16, 2012

tudo psiu


tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas


(paulo leminski)
(imagem: alberto burri)

mercredi, novembre 23, 2011

algodão


Cai
Sem sentir o chão
De olhos partidos
No rastro de um cão

Vai
Me empurra de vez
Me ajuda a sorrir
Dois passos daqui
De ombros pra lá
E os braços no ar
Te vejo dançar
Levitar e subir
Sem forças cair
No asfalto de lã

Cai
Sem deixa bater
No canto da boca
Desaparecer

Vai
Desfila outra vez
Nos passos de quem
Na ponta do pé
Descalço e só
Me leva além
Nem mesmo você
Me impede de ir
Mergulhar e sumir
No mar de algodão


(alice coutinho e romulo fróes)
(img: aaron siskind)

jeudi, octobre 06, 2011

sem você não quero não


Tempestade dispara, poema sem brasa, sem continuação
O fonema do ócio, do ódio, do outro, roubou meu trovão
Os meus pregos, colchetes, concreto, contraem a intuição

Um atalho, um oco, teu rosto, teu verbo, não vejo o sinal
Desmorona o reboco, teu sorriso torto, internacional
Maremoto, meu peito, um sopro, um gozo, um dia afinal

Sem você não quero não

Desapega tua casa, tua coxa, um trago, um dia depois
Um ruído, um vácuo, hiato, silêncio, entre nós dois
O discurso que cede, o piso, o cimento, o teto já foi

Umidade, poeira, sujeito composto e o que tenho à mão
Digerindo teus olhos, de pedra, de chuva, de declaração
Terremoto em segredo, teus pêlos acesos, e a respiração

Sem você não quero não


(alice coutinho e romulo fróes)
(img: brett walker)

mardi, septembre 20, 2011

reclame


minha rima é infame, engana
meu cabelo é de aço, de arame
reclama essa voz distante
procura um nome

meu amor é sem jeito, arranca
minha tinta, meu brinco, o barbante
não ouve, não dá vexame
procura um nome

que cante uma dor, um lugar
que cante um ó, um ah
que engula esse nó e prenda o ar
e afogue antes de terminar

minha arma é sem fogo, dispara
o amargo, um soco na cara
nem tenta nem se mete a besta
procura um nome

sem corpo, sem cor e sem casa
sem fala, instrução ou palavra
que torne esse amor um reclame
de pedra, de pó, de nada

que cante uma dor, um lugar
que cante um ó, um ah
que engula esse nó e prenda o ar
e afogue antes de terminar


(Alice Coutinho e Romulo Fróes)
(img: Selena Maestrini)